As primeiras videiras do Brasil foram trazidas pela expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, em 1532. Brás Cubas, fundador da cidade de Santos, é, reconhecidamente, o primeiro a cultivar a vinha em nossas terras.
O vinho nessa época já tinha consumo e produção amplamente difundidos na Europa, tanto pelo hábito trazido do Império Romano quanto pelos rituais da Igreja. Mas além disso, vale ressaltar que Portugal já era, há muito tempo, uma nação especialmente ligada à vinicultura.
Apesar das dificuldades e muitos obstáculos em relação ao clima, a cultura foi sendo desenvolvida e , em 1640, a Câmara Municipal de São Paulo passou uma ata padronizando a qualidade e os valores do vinho produzido na capitania, atestando que os esforços de Brás Cubas deram resultado.
No Rio Grande do Sul a videira chegou em 1626, trazida pelo jesuíta Roque Gonzáles que plantou videiras europeias em São Nicolau, nos Sete Povos das Missões. Embora houvesse necessidade da produção de vinho para utilização na missa, a dificuldade de adaptação de variedades viníferas em nossas terras impediu a disseminação da vitivinicultura no Brasil. Em 1742, assinala-se o renascimento da vitivinicultura rio-grandense com a chegada de sessenta casais açorianos e madeirenses radicados em rio grande e porto alegre.
Um impulso em 1808, com a vinda da Corte real para as nossas terras, fugindo de Napoleão na Europa e trazendo consigo um batalhão de profissionais e mão de obra — além de muita demanda pela bebida, sem dúvida —, a chegada de Dom João VI impulsionou a produção vinífera no Brasil.
A partir de 1875 desponta o grande surto do crescimento da vitivinicultura gaúcha, graças á chegada dos italianos que traziam na bagagem além das cepas de uva europeias da região de Vêneto, o hábito do consumo do vinho como um alimento, e o ainda chamado espírito vitivinícola. As cepas com o passar do tempo começaram a morrer por causa de doenças fúngicas, mas a força italiana e a vontade de manter sua tradição permitiram aos imigrantes que encontrasse uma cultivar que se adaptasse a região.
A variedade de origem americana chamada de Isabel (vitis labrusca) foi encontrada na região no vale do rio dos Sinos, onde os imigrantes levaram para a encosta Superior do Nordeste, sendo que essa cultivar se adaptou muito bem aquelas condições, e permitiu a continuidade da produção de uvas e vinho.
A partir de então, a vitivinicultura no Brasil testemunhou um desenvolvimento constante, principalmente no quesito técnico, num processo evolutivo até os dias atuais.